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Eficácia e segurança de dutasterida e abiraterona para prevenção e tratamento de câncer de próstata

PTC 15/2014

DOI: 10.13140/2.1.2464.5925

Autores: Celline Cardoso Almeida, Kátia Rodrigues Silva, Augusto Afonso Guerra Júnior, Francisco de Assis Acurcio

RESUMO EXECUTIVO

Tecnologias: Dutasterida e abiraterona

Indicação: Prevenção (dutasterida) e tratamento (dutasterida ou abiraterona) do câncer de próstata

Caracterização das tecnologias: A dutasterida inibe a conversão da testosterona em dihidrotestosterona, um androgênio que está diretamente envolvido no desenvolvimento da hiperplasia prostática benigna. A abiraterona é um inibidor da biossíntese de androgênios, hormônios que estimulam o crescimento das células do câncer de próstata.

Pergunta: As intervenções dutasterida e abiraterona são seguras e eficazes na prevenção e tratamento do câncer de próstata?

Busca e análise de evidências científicas: Foram pesquisadas as bases Medline (via Pubmed), The Cochrane Library e LILACS. Buscaram-se revisões sistemáticas (RS) de ensaios clínicos randomizados (ECR) que avaliassem o uso de abiraterona ou dutasterida no tratamento do câncer de próstata. Avaliações de Tecnologias de Saúde (ATS) foram pesquisadas em sites de agências internacionais e na Rede Brasileira de Avaliação de Tecnologia em saúde. A qualidade da evidência foi avaliada pelo sistema GRADE.

Resumo dos resultados dos estudos selecionados: Foram selecionados quatro estudos, duas RS e dois ECR. Os ECR evidenciaram que a dutasterida reduziu em 38 a 66% a progressão do câncer comparado ao placebo, e com perfil de segurança semelhante. Ambos os ECR apresentaram limitações importantes, como financiamento pelo fabricante da dutasterida, considerável perda de acompanhamento e não avaliação da sobrevida. Não foram encontradas recomendações de ATS para o uso da dutasterida no tratamento do câncer de próstata. Com relação à prevenção do câncer de próstata, a dutasterida foi avaliada em uma RS de qualidade moderada, que mostrou resultados de eficácia favoráveis, porém com possível aumento da progressão da doença. Fato que resultou na retirada do pedido de licenciamento pelo fabricante desta indicação terapêutica. Uma RS de alta qualidade mostrou que o uso de abiraterona associada à prednisona promove sobrevida 26% maior e progressão da doença 45% menor em comparação com placebo associado à prednisona no tratamento do câncer de próstata metastático resistente à castração. Porém a abiraterona apresentou perfil desfavorável de segurança. As ATS recomendam a abiraterona no tratamento do câncer de próstata metastático resistente à castração, com progressão da doença durante ou após falha na terapia com docetaxel. Porém,
outros medicamentos como o cabazitaxel e a mitoxantrona, poderiam ser utilizados após falha com docetaxel, e existe dificuldade em se escolher uma terapia em relação à outra.

Recomendações: Para os estágios iniciais do câncer de próstata estão indicadas cirurgia, radioterapia, braquiterapia e, em alguns casos, a observação vigilante. A dutasterida não deve ser utilizada para prevenção ou tratamento do câncer de próstata, uma vez que as evidências avaliadas não são suficientes para garantir um balanço positivo entre os benefícios e malefícios relacionados ao uso da tecnologia. Para pacientes com câncer metastático resistente à castração e que são sintomáticos, geralmente utilizando-se docetaxel como primeira escolha. Após a falha da terapia de primeira escolha, recomenda-se fracamente o uso da abiraterona associada à prednisona. Já para aqueles assintomáticos ou levemente sintomáticos com falha a terapia hormonal e que nunca fizeram quimioterapia recomenda-se fracamente contra
o uso da abiraterona associada à prednisona, devido à falta de evidências suficientes que garantam a eficácia superior da abiraterona em comparação com o docetaxel.

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