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Eficácia, efetividade e segurança do inibidor da esterase-C1 humana para angioedema hereditário

PTC 06/2018

Autores: Jullye Campos Mendes, Celline Cardoso Almeida, Juliana Alvares Teodoro e Augusto Afonso Guerra Júnior.

RESUMO EXECUTIVO

Tecnologia:Inibidor da esterase-C1 humana

Indicação:Tratamento de angioedema hereditário (tratamento de crises agudas e profilaxias a curto e longo prazo)

Caracterização da tecnologia:O concentrado do inibidor de esterase-C1 é um medicamento biológico derivado de plasma humano. Ele atua na reposição da atividade deficiente do inibidor da esterase-C1 (terapia de reposição).

Pergunta: O inibidor da esterase-C1 humana é eficaz, efetivo e seguro para o tratamento de Angioedema Hereditário (AEH)?

Busca e análise de evidências científicas: Foram pesquisadas as bases Medline (via Pubmed), Embase, The Cochrane Library e LILACS. Buscaram-se revisões sistemáticas de ensaios clínicos randomizados, ensaios clínicos randomizados (ECR) e estudos observacionais sobre a eficácia, efetividade e segurança do inibidor da esterase-C1 humana para angioedema hereditário. A qualidade da evidência foi avaliada pelo sistema GRADE e pela escala Newcaste-Ottawa. Avaliações de Tecnologias de Saúde (ATS) foram pesquisadas em sites de agências internacionais e na Rede Brasileira de Avaliação de Tecnologia em saúde.

Resumo dos resultados dos estudos selecionados:Foram selecionados oito estudos, quatro ECR, três coortes e um estudo transversal. Para o tratamento de crises agudas de angioedema, foram incluídos três ensaios clínicos randomizados e controlados por placebo. Os três estudos comprovaram a eficácia da tecnologia em reduzir o tempo até o alívio dos sintomas e a segurança. Dois ECR e três estudos observacionais avaliaram o uso do inibidor da esterase-C1 humana como profilaxia a longo prazo. Na maioria dos estudos, a tecnologia mostrou-se segura e mais eficaz/efetiva ao reduzir a frequência e intensidade de episódios agudos de angioedema, comparado com placebo ou danazol. Apenas um estudo avaliou a efetividade do inibidor da esterase-C1 humana para profilaxia a curto prazo. A tecnologia foi mais efetiva que o danazol na redução da frequência de episódios agudos após procedimentos médicos. O nível de recomendação foi considerado a favor da tecnologia para todos os estudos. Entretanto, a qualidade da evidência dos estudos incluídos variou de fraca a moderada. Uma ATS relatou que mais ensaios clínicos de alta qualidade e dados de custo-efetividade são necessários para a recomendação do inibidor da esterase-C1 na profilaxia a longo prazo de crises de AEH. Um estudo de custo-efetividade relatou que o inibidor da esterase-C1 humana é menos custo-efetivo do que o icatibanto, que por sua vez, não foi incorporado ao SUS devido ao alto custo-efetividade incremental.

Recomendações:O danazol, medicamento disponibilizado pelo SUS para profilaxia a longo prazo de AEH, apresenta muitos eventos adversos e é contraindicado para uso em crianças, adolescentes e gestantes. Além disso, o danazol não é eficaz no tratamento de crises agudas de angioedema, sendo que, no Brasil, este tratamento é predominantemente hospitalar. O inibidor da esterase-C1 humana é eficaz no tratamento de crises agudas e apresenta a vantagem de ser auto administrável, reduzindo o número de internações relacionadas às crises de angioedema. Entretanto, as evidências avaliadas não sustentam a recomendação de uso do inibidor da esterase-C1 humana como substituto do danazol. Para que tal decisão seja tomada, são necessários estudos de maior qualidade e estudos de custo-efetividade. Dessa forma, pode-se recomendar fracamente o uso do inibidor da esterase-C1 humana em casos especiais, levando-se o alto custo do medicamento em consideração. Esses casos incluem gestantes, crianças, adolescentes e pacientes que são intolerantes ao danazol ou pacientes com falha terapêutica após o uso de danazol.

 

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