CCATES

Glossário

Este Glossário é uma organização dos principais conceitos envolvidos no processo de Avaliações de Tecnologias de Saúde, e aborda definições das áreas de farmacoepidemiologia, economia da saúde e saúde baseada em evidências.

As definições apresentadas foram identificadas em atos e documentos publicados pelo Ministério da Saúde, principalmente em seus Glossários Temáticos e Diretrizes pertinentes. Fontes internacionais foram acessadas somente na ausência das primeiras.

A finalidade deste glossário é propiciar ao profissional e ao gestor em saúde o acesso a um vocabulário controlado e de qualidade, que apresente o escopo conceitual da área de Avaliações de Tecnologias de Saúde para uma comunicação mais efetiva e uma melhor compreensão das evidências produzidas neste campo.

A

Acurácia: O grau em que uma medida de um teste diagnóstico representa o valor verdadeiro do efeito medido.

Agência de avaliação de tecnologias em saúde: Instituição pública ou privada dedicada a realizar e a divulgar os resultados de investigações sobre tecnologias em saúde, novas e preexistentes, a partir de evidências disponíveis sobre a segurança, a eficácia, a efetividade, a relação custo-efeito e o impacto socioeconômico e ético dessas tecnologias.

Alocação de recursos em saúde: Forma como o setor Saúde distribui seus recursos, financeiros ou não, entre as diferentes alternativas de tecnologias, com vistas a atender às necessidades de saúde da sociedade.

Anos de Vida Ajustados pela Incapacidade: Índice que representa os anos futuros de vida isentos de incapacidades que se perderiam em um dado período, por consequências de mortes prematuras ou de situações de incapacidades provocadas por enfermidades. Ver Anos de Vida Ajustados pela Qualidade.

Anos de vida ajustados pela qualidade (Quality-adjusted life years – QALY): Unidade de resultado da atenção a saúde que ajusta os ganhos (ou perdas) em anos de vida subsequentes a uma intervenção em saúde pela qualidade de vida durantes esses anos. QALYs podem fornecer uma unidade comum para a comparação de custo-utilidade entre intervenções e problemas de saúde diferentes.

Anos Potenciais de Vida Perdidos: Unidade de medida de impacto relativa a várias enfermidades e a problemas de saúde na sociedade, calculada a partir da soma dos anos de vida perdidos em consequência de mortes de jovens ou de falecimentos prematuros das pessoas de uma dada região ou de um país.

Árvore de Decisão: Representação gráfica da decisão, incorporando escolhas alternativas, eventos incertos (e suas probabilidades) e resultados em saúde.

B

Banco de Preços em Saúde: Sistema informatizado, alimentado por instituições cadastradas, que disponibiliza, via internet, os preços praticados em suas aquisições de medicamentos, materiais médico-hospitalares e gases medicinais.

Base de dados: Uma coleção de informações organizadas, usualmente mantidas em computador. De certa forma a base de dados é similar ao sistema de arquivos, mas com importantes vantagens: as informações podem ser revisadas e mantidas atualizadas facilmente, e com o computador recuperar as informações rapidamente.

Benefício: Ganho ou resultado positivo de qualquer tecnologia em saúde.

Busca Manual (Handsearching): A busca manual na Colaboração Cochrane refere-se a uma busca planejada de uma revista página por página (i.e. manualmente), incluindo editoriais, cartas, etc, identificando todos os itens que são ensaios clínicos aleatórios ou ensaios clínicos controlados. Normalmente a busca manual é iniciada no volume mais recente da revista e a busca segue nos volumes anteriores até o volume um.

C

Chances (Odds): a chance de ocorrência de um evento. É a probabilidade de ocorrência deste evento dividida pela probabilidade da não ocorrência do mesmo evento. Assim, se a probabilidade de ocorrência de um evento é de 75%, então as chances de ocorrência deste evento são de 3 para 1. Ver Razão de chances.

Ciclo de Vida de Tecnologias: Corresponde às diferentes fases de evolução de uma tecnologia, que vai do seu processo de desenvolvimento, inovação, difusão, incorporação e uso até a sua obsolescência.

Comparador: Alternativa a qual a intervenção ou tecnologia é comparada.

Concordância inter-observador: O grau de estabilidade exibida quando uma mensuração é repetida, em condições idênticas, por diferentes avaliadores. A concordância refere-se ao grau em que os resultados obtidos pela mensuração pode ser reproduzido. A ausência de concordância inter-observador pode surgir de alguma divergência entre os observadores ou da instabilidade do atributo que está sendo mensurado.

Concordância intra-observador: O grau de estabilidade exibida quando uma mensuração é repetida, em condições idênticas, pelo mesmo avaliador. A concordância refere-se ao grau em que os resultados obtidos pela mensuração pode ser reproduzido. A ausência de concordância intra-observador pode surgir de alguma divergência no instrumento de mensuração ou na instabilidade do atributo que está sendo mensurado.

Conflito de Interesse: conflito entre o dever profissional e o interesse privado de um indivíduo, no qual um interesse privado possa impropriamente influenciar o desempenho profissional do mesmo. Em pesquisa, pode significar recebimento de apoio financeiro de indústrias produtoras de tecnologia (sob qualquer forma, como dinheiro, passagens aéreas, brindes), possuir parentesco com algum dos interessados na pesquisa, ser membro de sociedade de defesa de interesse de pacientes, entre outros.

Confundidores: Situação onde a medida do efeito de uma intervenção ou exposição fica distorcida pela associação da exposição com outro(s) fator que influencia desfecho clínico que está sendo investigado.

Consentimento Informado: termo a ser assinado por pacientes que se submeterão a alguma pesquisa clínica. Deve conter: a) informação sobre o que é a pesquisa, objetivos, duração da pesquisa e tipos de procedimentos destacando quais são experimentais; b) riscos e desconfortos; c) benefícios; d) alternativas, se existirem; e) confidencialidade; f) compensação, se ocorrerem danos em decorrência do tratamento ou procedimento; g) identificação de uma pessoa para contato; h) voluntariedade na aceitação e possibilidade de abandono sem restrições ou consequências. (ou Consentimento Livre e Esclarecido, ou Consentimento Pós-Informação, ou Consentimento Após-Informação).

Controle: 1. Em ensaios clínicos comparando duas ou mais intervenções, um controle é uma pessoa no grupo de comparação que recebe um placebo, nenhuma intervenção, o tratamento padrão ou outra forma de tratamento. 2. Em estudos caso-controle, um controle é uma pessoa no grupo de comparação sem a doença ou o desfecho de interesse. 3. Em estatística, controlar significa ajustar ou levar em conta influências ou observações externas. 4. Controle também pode ser usado para programas com o objetivo de reduzir ou eliminar doenças, quando aplicado a doenças transmissíveis (infecciosas).

Custo: valor de todos os recursos utilizados na produção e distribuição de bens e serviços.

Custo de oportunidade: É o valor da melhor alternativa não concretizada em consequência de se utilizarem recursos escassos na produção de um dado bem e/ou serviço.

Custo direto: Custo apropriado diretamente ao produto ou serviço prestado, não sendo necessária nenhuma metodologia de rateio. Nota: é apropriado aos produtos ou serviços por meio de alguma medida de consumo. Exemplos: mão de obra direta, material.

Custo econômico: Ver Custo de oportunidade.

Custo-enfermidade: Tipo de avaliação econômica parcial por meio da qual se calcula o impacto econômico, ou os custos da prevalência, ou os custos da incidência de determinada enfermidade durante um dado período de tempo.

Custo financeiro: Custo calculado para estabelecer um equilíbrio de caixa a fim de permitir a quantificação das necessidades imediatas dos serviços no instante de sua apuração.

Custo em saúde: Valor dos recursos empregados no uso de uma alternativa terapêutica, de um programa ou de um serviço de saúde durante um período de tempo. Ver Custo.

Custo indireto: Parcela do custo total que não pode ser identificada diretamente em um produto ou serviço específico, porque depende dos critérios de rateio e está relacionada com um ou mais produtos ou serviços. Nota: exemplos: aluguel, energia, água, telefone e combustível. Ver Custo; Custo direto; Custo total.

Custo marginal: Aumento que experimenta o custo total, decorrente do acréscimo de uma unidade no volume de produção.

Custo médio unitário: Custo total dividido pela quantidade produzida, em um determinado período. Nota: pode ser obtido em relação ao custo direto, indireto e total.

Custo total: É o resultado do somatório dos custos diretos e indiretos de todas as unidades de um mesmo bem ou serviço produzidas durante determinado período de tempo. Ver Custo; Custo direto; Custo indireto, Custo marginal.

Custo unitário: Valor pago por unidade da tecnologia.

Custo-benefício (Análise): Método formal para a comparação de benefícios e custos de uma tecnologia em saúde. Tanto os benefícios quanto os custos são avaliados monetariamente.

Custo-efetividade (Análise): Método formal para a comparação de benefícios e custos de uma tecnologia em saúde. Os benefícios são medidos em termos de algum efeito clínico, tais como taxa de mortalidade, anos de vida adicionados, anos de vida ajustados pela qualidade etc.

Custo-efetividade incremental: razão entre a diferença nos custos e nos resultados das alternativas tecnológicas sob comparação.

Custo-minimização (Análise): Avaliação econômica que compara somente os custos de duas ou mais tecnologias. Nota: os efeitos sobre a saúde que resultam das tecnologias comparadas são considerados similares.

Custos Intangíveis: São os custos relacionados à dor e sofrimento resultantes de uma doença, condição ou intervenção.

Custo-utilidade (Análise): Método formal para a comparação de benefícios e custos de uma tecnologia em saúde. Os benefícios são medidos em termos da utilidade. Ver Utilidade.

D

Decisão clínica (Análise): Método sistemático e quantitativo para avaliar o valor relativo de duas ou mais opções alternativas. Ela é usada para ajudar no desenvolvimento de políticas para o tratamento de grupos de pacientes, fornecendo informações sobre quais de duas ou mais estratégias para lidar com um problema médico possui o “maior” valor.

Declaração de conflito de interesse: Uma declaração de um autor de um artigo ou revisão, de interesses pessoais financeiros ou de outra natureza que poderiam ter influenciado os resultados ou sua interpretação. Ver Conflito de interesse

Desfecho (outcome): medida ou indicador escolhido para se determinar um efeito de uma intervenção.

Diferença de média padronizada: É a diferença entre duas médias dividida por uma estimativa do desvio-padrão entre os grupos. Quando um desfecho (como a dor) é medido de diferentes maneiras em diversos estudos (usando escalas diferentes) pode não ser possível comparar diretamente, ou combinar os resultados dos estudos em uma revisão sistemática. Apresentar os resultados como valores padronizados torna possível combinar esses resultados, uma vez que eles deixam de ter unidades.

Diferença de média ponderada: Um método de metanálise usado para combinar medidas em escalas contínuas (como peso), no qual a média, desvio padrão e o tamanho da amostra em cada grupo são conhecidos. O peso atribuído a cada estudo (e.g.o quanto cada estudo influenciará nos resultados gerais da metanálise) é determinado pela precisão de sua estimativa de efeito. Este método assume que todos os ensaios mediram o desfecho na mesma escala.

Diretrizes clínicas: São posicionamentos ou recomendações sistematicamente desenvolvidos para orientar médicos e pacientes acerca de cuidados de saúde apropriados, em circunstancias clinicas especificas.

Disponibilidade a pagar: A quantidade máxima que uma pessoa está disposta a pagar: 1. para alcançar um bom estado de saúde ou resultado particular, ou para aumentar sua probabilidade de ocorrência, ou 2. para evitar um estado de saúde ruim ou resultado, ou para diminuir a sua probabilidade de ocorrência.

E

Economia da saúde: Disciplina que integra as teorias econômicas, sociais, clínicas e epidemiológicas a fim de estudar os mecanismos e os fatores que determinam e condicionam a produção, a distribuição, o consumo e o financiamento dos bens e dos serviços de saúde.

Econômica (Análise): comparação dos custos e desfechos clínicos de duas ou mais intervenções.

Efeito do tratamento: Em estudos sobre efeitos de cuidados de saúde, é a relação observada entre uma intervenção e um desfecho, expressa como, por exemplo, um número necessário para tratar, razão de chances, diferença de risco, risco relativo diferença padronizada de médias ou diferença ponderada de médias.

Efetividade: Probabilidade de que indivíduos de uma população definida obtenham um benefício da aplicação de uma tecnologia médica a um determinado problema em condições reais de uso.

Eficácia: Probabilidade de que indivíduos de uma população definida obtenham um benefício da aplicação de uma tecnologia médica a um determinado problema em condições ideais de uso.

Eficiência: Conceito econômico derivado da escassez de recursos que visa à produção de bens e serviços valorizados pela sociedade ao menor custo social possível.

EMBASE (Base de dados da Excerpta Medica): Base de dados eletrônica, sediada na Europa, da literatura farmacológica e biomédica, abrangendo 3.500 periódicos de 110 países. Anos de cobertura: 1974 até o presente.

Ensaio clínico randomizado: Investigação na qual a alocação de indivíduos, para a formação dos grupos de estudo, é feita ao acaso, como, por exemplo, com o uso de tabelas de números aleatórios. Ver Fase II; Fase III; Fase IV.

Ensaio controlado randomizado: Este tipo de estudo inclui os ensaios clínicos randomizados, mas também pode incluir os “ensaios comunitários randomizados” (onde a unidade de alocação são grupos de indivíduos). Ver Ensaio clínico randomizado; Fase II; Fase III; Fase IV.

Epidemiologia: O estudo da distribuição e dos determinantes de condições relacionadas à saúde ou eventos em populações específicas.

Equidade em saúde: Princípio segundo o qual a distribuição de recursos é feita em função das necessidades de saúde de uma determinada população.

Equitatividade: É o resultado da divisão do montante de recursos pelo total de indivíduos de uma comunidade. Nota: essa distribuição de recursos supõe que todos os beneficiários estão em situações idênticas.

Estudo de caso-controle: Forma particular de investigação etiológica, de cunho retrospectivo; parte-se do efeito em busca das causas. Grupos comparáveis de indivíduos, com e sem um determinado agravo a saúde, são comparados com respeito a exposições que sofreram no passado, de modo a testar a hipótese de que tais fatores de risco são causas contribuintes da doença.

Estudo de casos: O mesmo que relato de caso; investigação aprofundada da doença, em um paciente; utiliza-se a expressão “estudo de casos” quando estão incluídos pouco pacientes – para alguns, menos de uma dezena de casos.

Estudo de coorte: Forma particular de investigação de fatores etiológicos; parte-se da causa em busca dos efeitos. Um grupo de pessoas é identificado, e a informação pertinente sobre a exposição de interesse é coletada, de modo que o grupo pode ser seguido no tempo, verificando os que desenvolvem e os que não desenvolvem a doença em foco, e se esta exposição prévia está relacionada à ocorrência da doença. No caso mais simples de comparação, o subgrupo de indivíduos expostos a um fator de risco é comparado com o outro subgrupo de não expostos a este mesmo fator. A incidência do agravo à saúde, nos dois grupos, é comparada. Existem dois tipos de estudo de coorte: prospectivo e retrospectivo (ou histórico)

Estudo de Utilização de Medicamentos: São aqueles relacionados com a comercialização, distribuição, prescrição e uso de medicamentos em uma sociedade, com ênfase sobre as consequências médicas, sociais e econômicas resultantes; complementarmente, existem os estudos de farmacovigilância e os ensaios clínicos.

Estudo transversal: estudo epidemiológico baseado em investigações que produzem “instantâneos” da situação de saúde de um grupo ou comunidade, observando fator e efeito num mesmo momento histórico. Utiliza amostras representativas de população de referência precisamente delimitada, produzindo medidas de prevalência de doenças. Sinônimos: estudo seccional, estudo de prevalência.

Estudo observacional: Um estudo em que se permite que a natureza siga seu curso. Mudanças ou diferenças em uma característica (e.g. se as pessoas estão ou não expostas a uma intervenção de interesse) são estudadas em relação a mudanças ou diferenças em outra(s) característica (e.g. se morrem ou não), sem qualquer ação do investigador. Existe um risco de viés de seleção maior do que o encontrado em estudos experimentais (ensaio randomizado controlado).

Estudos primários: Investigações originais. Ver Estudos secundários

Estudos secundários: Estudos que procuram estabelecer conclusões a partir de estudos primários e incluem as revisões não sistemáticas da literatura, as revisões sistemáticas com e sem metanálise, e os artigos de revisão. Ver Estudos primários; metanálise; revisões sistemáticas.

Evento Adverso Sério: Efeito nocivo que ocorre na vigência de um tratamento medicamentos e que resulta em: 1 – Morte; 2 – Ameaça ou risco de vida; 3 – Hospitalização ou prolongamento de uma hospitalização preexistente, excetuando-se as cirurgias eletivas e as internações previstas no protocolo; 4 – Incapacidade persistente ou significativa; 5 – Anomalia congênita ou defeito de nascimento; e 6 – Ocorrência médica significativa.

Evento Adverso: qualquer ocorrência médica desfavorável ao paciente ou sujeito da investigação clínica e que não tem, necessariamente, relação causal com o tratamento.

F

Farmacoeconomia: Conjunto de atividades dedicadas, de modo geral, à análise econômica no campo da assistência farmacêutica, como a gestão de serviços farmacêuticos, a avaliação da prática profissional e a avaliação econômica de medicamento e, de modo específico, à descrição e à análise dos custos e das consequências da farmacoterapia para o paciente, o sistema de saúde e a sociedade.

Farmacoepidemiologia: Aplicação do método e raciocínio epidemiológico no estudo dos efeitos benéficos e adversos, e do uso de medicamentos em populações humanas. É a aplicação dos métodos clássicos e clínicos da epidemiologia, bem como as tecnologias da moderna comunicação da farmacologia clínica e farmacoterapia. Ela representa a última fase de avaliação do desenvolvimento de um medicamento e é absolutamente essencial para completar o conhecimento de um novo produto para garantir a efetividade, segurança, racionalidade e o uso custo-efetivo.

Farmacovigilância: Identificação e avaliação dos efeitos, agudos ou crônicos, do risco do uso dos tratamentos farmacológicos no conjunto da população ou em grupos de pacientes expostos a tratamentos específicos. Ciência relativa à detecção, avaliação, compreensão e prevenção dos efeitos adversos ou quaisquer problemas relacionados a medicamentos.

Fases da Pesquisa Clínica: Ver Fase pré-clínica; Fase I; Fase II, Fase III; Fase IV.

Fase pré- clínica: Aplicação de nova molécula em animais, depois de identificada em experimentações in vitro como tendo potencial terapêutico.

Fase I: É o primeiro estudo em seres humanos em pequenos grupos de voluntários, em geral sadios, de um novo princípio ativo, ou nova formulação. Estas pesquisas se propõem estabelecer uma evolução preliminar da segurança e do perfil farmacocinético e quando possível, um perfil farmacodinâmico;

Fase II (estudo terapêutico piloto): Primeiros estudos controlados em pacientes, para demonstrar efetividade potencial da medicação (100 a 200); são avaliadas a eficácia, segurança, biodisponibilidade e bioequivalência de diferentes formulações/doses.

Fase III (estudo terapêutico ampliado): São estudos realizados em grandes e variados grupos de pacientes, com o objetivo de determinar: o resultado do risco/benefício a curto e longo prazos das formulações do princípio ativo e, de maneira global (geral), o valor terapêutico relativo. Estudos internacionais, de larga escala, em múltiplos centros, com diferentes populações de pacientes para demonstrar eficácia e segurança (população mínima aprox. 800).

Fase IV (estudos realizados após aprovação para comercialização do produto): Têm como objetivo investigar a incidência de reações adversas pouco frequentes ou não esperadas (vigilância pós-comercialização), suporte ao marketing, comparação com produtos competidores, novas indicações terapêuticas e novas formulações. Ver Farmacovigilância.

G

Gasto: Despesa com bens ou serviços adquiridos. Nota: refere-se também ao sacrifício econômico para obtenção de um produto ou serviço qualquer, não importando a origem dos recursos, representado por entrega ou promessa de ativos, independente de ter efetuado o pagamento.

Gráfico do funil (Funnel plot): Uma representação gráfica do tamanho da amostra plotado contra o tamanho do efeito, que pode ser usada para investigar viés de publicação. Ver Viés de publicação

H

Heterogeneidade: Em revisões sistemáticas, heterogeneidade diz respeito à variabilidade ou diferenças entre estudos na estimativa de efeitos. Por vezes é feita distinção entre ‘heterogeneidade estatística’ (diferenças nos resultados dos desfechos), ‘heterogeneidade metodológica’ (diferenças nos desenhos de estudo), e ‘heterogeneidade clínica’ (diferenças entre os estudos em caraterísticas-chave dos participantes, intervenções ou desfechos). Testes estatísticos de heterogeneidade são usados para determinar se a variabilidade observada nos resultados de um estudo (tamanho de efeito) é maior que o esperado devido ao acaso. Ver homogeneidade

Hipótese de nulidade: Hipótese estatística de que uma variável (e.g. se um participante do estudo foi ou não alocado para receber a intervenção) não está associada à outra variável ou conjunto de variáveis (e.g. se um participante morreu ou não), ou se duas ou mais distribuições populacionais não diferem uma da outra. De maneira mais simples, a hipótese de nulidade afirma que os resultados observados em um estudo não são diferentes do que acontece por obra do acaso.

Homogeneidade: Em revisões sistemáticas, homogeneidade diz respeito ao grau em que os resultados de estudos incluídos em uma revisão são similares. ‘Homogeneidade Clínica’ significa que, em ensaios incluídos em uma revisão, os participantes, intervenções e medidas de desfechos são semelhantes ou comparáveis. Estudos são considerados ‘estatisticamente homogêneos’ se seus resultados não variam mais do que seria esperado por obra do acaso. Ver HeterogeneidadeI

Impacto orçamentário incremental: Diferença de entre o impacto orçamentário total do cenário atual em relação a um ou mais cenários alternativos.

Impacto orçamentário total ou bruto: Valor total estimado a ser custeado pelo gestor para a implantação e manutenção de um conjunto de intervenções em saúde.

Inputs do modelo: Parâmetros (por exemplo, resultados, uso dos recursos, utilidades) e características de desenho (estrutura, métodos analíticos, pressupostos) do modelo.

Incerteza do Modelo: Incerteza relacionada com as características de desenho do modelo desenho (estrutura, métodos analíticos, pressupostos); a incerteza do modelo depende das escolhas e pressupostos feitos pelo analista.

Incidência: Proporção de indivíduos que não têm uma condição clínica e que a desenvolvem no decorrer de um período. Número de casos novos de um evento, em uma população definida, em um período de tempo especificado. O coeficiente de incidência é este número expresso em unidade de população.

Incorporação de Tecnologia: Refere-se à adoção, inclusão ou utilização de determinada tecnologia. Ver Tecnologia; tecnologia em saúde.

Indicador de Saúde: Medida-síntese que contêm informação relevante sobre determinados atributos e dimensões do estado de saúde, bem como do desempenho do sistema de saúde. Vistos em conjunto, devem refletir a situação sanitária de uma população e servir para a vigilância das condições de saúde. Exemplos: Índice de mortalidade infantil, índice de natalidade, índice de fecundidade.

Intenção para Tratar (intention to treat): Método de análise para Ensaios Clínicos Controlados Randomizados no qual todos os pacientes alocados randomicamente para um dos tratamentos são analisados juntamente, independente de ter ou não completado ou recebido o tratamento.

Intervalo de Confiança (IC): Quantifica a incerteza de uma medida. Geralmente descrito como IC 95%, representa a faixa de valores dentro da qual podemos ter 95% de certeza que contém o valor verdadeiro da população. Estipula o erro de amostragem. Trata-se da extensão de valores de uma variável, definida por dois limites, de modo a incluir o verdadeiro valor do parâmetro na população (em geral, com 95% de chance); informam-se dois valores, um menor e outro maior, calculados com os dados da amostra, que definem os limites, no interior dos quais se encontra o verdadeiro valor do parâmetro populacional.

Intervenção: Qualquer tratamento ou procedimento administrado aos participantes de um estudo por determinação do investigador.

L

LILACS (Literatura de Ciências da Saúde da América Latina e do Caribe): Uma base de dados eletrônica baseada em bases de dados regional de literatura médica e científica. É compilada pelo Centro para Informações de Ciências da Saúde da America Latina e Caribe, uma unidade da Organização Pan Americana da Saúde.

Limite financeiro: Montante máximo de recursos federais que poderão ser gastos com o conjunto de serviços existentes em cada território municipal e que é composto por duas parcelas separadas, quais sejam, os recursos destinados ao atendimento da população própria e os recursos destinados ao atendimento da população referenciada.

Literatura Cinzenta: relatórios de pesquisas que não são encontrados nas publicações tradicionais revisadas por pares. Por exemplo: monografias de agências governamentais, publicações de simpósios e relatórios de indústrias ainda não publicados.

M

Mascaramento: Tentativa de evitar que os participantes do estudo saibam qual tratamento está sendo administrado. Sinônimo: Cegamento. Pode ser uni cego (pacientes são cegados), duplo cego (pacientes e observadores são cegados) ou triplo cego (pacientes, observadores e pesquisadores são cegados).

Média: Existem vários tipos de médias. Aqui estamos definindo a mais usada, chamada media aritmética, que é o quociente da soma dos valores de uma variável pelo numero de medidas realizadas.

Mediana: É o valor central de um conjunto de medidas de uma variável, quando as mensurações são ordenadas do menor para o maior valor. É o ponto ou posição que divide a distribuição em duas metades (50%).

Medicina Baseada em Evidência: Uso consciente e minucioso das melhores evidências atuais nas decisões sobre assistência à saúde individual. A prática da medicina baseada em evidências significa integrar a experiência individual às melhores evidências cientificamente tidas como válidas disponíveis.

MEDLINE (MEDlars onLINE): Base de dados eletrônica produzida pela Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos. Indexa milhões de artigos em periódicos selecionados (cerca de 3.700). Está disponível na maioria das bibliotecas médicas, e pode ser consultada em CD-ROM, pela Internet e por outros meios. Anos de cobertura – 1966 até o presente.

Metanálise: É um enfoque quantitativo para combinar de maneira sistemática os resultados de estudos anteriores para se chegar a conclusões sobre o corpo da pesquisa. Estudos de um tópico são inicialmente sistematicamente identificados. Critérios para a inclusão e exclusão dos estudos são definidos, e os dados dos estudos elegíveis são extraídos. Finalmente, os dados são combinados estatisticamente, gerando uma estimativa quantitativa do efeito de tratamentos e um teste da homogeneidade da estimativa do tamanho do efeito. Ver Revisão sistemática

Meta-regressão: Técnicas meta-analíticas multivariadas, como a regressão logística, usada para explorar a relação entre características do estudo (e.g. sigilo de alocação, risco basal, momento da intervenção) e seus resultados (a magnitude do efeito observado em cada estudo) em uma revisão sistemática.

Modelo econômico: No campo da saúde, representa um modelo matemático da via clínica que contém as principais escolhas e as consequências das opções estudadas. Nota: Um modelo econômico pode ser usado para extrapolar, a partir de resultados intermediários, os resultados em longo prazo de importância para os pacientes.

Modelo de efeito fixo: Um modelo estatístico que estabelece que as unidades analisadas (e.g. pessoas em um ensaio, ou estudo em uma meta-análise) são as unidades de interesse e, portanto, constituem a população total de unidades. Considera que apenas a variação intra-estudo influencia a incerteza dos resultados (o que se reflete no intervalo de confiança) de uma meta-análise que usa um modelo de efeito fixo. Variações entre as estimativas de efeito de cada estudo (heterogeneidade) não afetam o intervalo de confiança em um modelo de efeito fixo. Ver Modelo de Efeito Randômico.

Modelo de efeito randômico: Um modelo estatístico algumas vezes usado em meta-análise no qual tanto erros de amostragem intra-estudo (variância) como variações entre estudos são considerados e incluídos na determinação da incerteza (intervalo de confiança) dos resultados de uma meta-análise. Se existir heterogeneidade significativa entre os resultados dos estudos incluídos, modelos de efeito randômicos vão apresentar intervalos de confiança mais largos que os modelos de efeito fixo. Ver Modelo de Efeito Fixo

Modelos de Markov: Técnica matemática usada para modelagem de fenômenos epidemiológicos, simulando coortes em que indivíduos podem transitar entre diferentes estados de saúde ou entre diferentes opções terapêuticas, de acordo com probabilidades ou distribuições de probabilidades predefinidas. Modelos determinísticos: Modelos matemáticos em que o analista determina o valor dos parâmetros considerados como base nas fontes de dados disponíveis e de acordo com sua conveniência; não há emprego de curvas de distribuição de probabilidades para consideração da gama de valores plausíveis para um dado parâmetro.

Morbidade: Proporção de pacientes com uma doença particular durante um dado ano por uma dada unidade da população.

Mortalidade: Todas as mortes notificadas em uma população.

N

Number Need to Harm (NNH): Número necessário de pacientes, que se recebessem o tratamento, resultaria num paciente adicional sofrendo o desfecho desfavorável, comparado com os pacientes que receberam o tratamento controle. Número Necessário para Tratar (number needed to treat, NNT): inverso da Redução do Risco Absoluto. Número necessário de pacientes que precisa ser tratado para prevenir um desfecho indesejado ou para se obter um desfecho positivo adicional.

O

Obsolescência Tecnológica: Redução da vida útil e do valor de uma tecnologia devido ao aparecimento de um modelo tecnologicamente superior.

P

Padrão-ouro: Método, procedimento ou medida que é amplamente aceito como sendo o melhor disponível, contra o qual novas intervenções deveriam ser comparadas. Sinônimo: padrão de referência.

Parecer Técnico-Científico: Uma ferramenta de suporte à gestão e à decisão, baseada na mesma racionalidade que envolve uma avaliação de tecnologia de saúde, embora com execução e conteúdo mais simplificado.

Placebo: Substância inerte administrada aos pacientes do grupo controle para comparar seus efeitos com outra intervenção.

Poder estatístico: A probabilidade de que a hipótese de nulidade seja rejeitada se ela for realmente falsa. Em estudo de efetividade de intervenções em saúde, o poder estatístico é a medida da certeza de evitar uma conclusão falso-negativa de que uma intervenção não é efetiva quando na verdade ela é efetiva. O poder de um estudo é determinado pelo seu tamanho (número de participantes), pelo número de eventos, ou pelo grau de variação de um desfecho contínuo (como peso), pelo tamanho do efeito que se acredita ser importante (por exemplo: a menor diferença de desfechos entre o grupo de intervenção e os controles que é considerada importante), e o quanto se deseja evitar uma conclusão falsamente positiva (isto é, o ponto de corte usado para significância estatística). Ver hipótese de nulidade

Precisão: 1. Uma medida da possibilidade de erros aleatórios nos resultados de um estudo, meta-análise ou medida. Intervalos de confiança ao redor da estimativa de efeito para cada estudo são medidas de precisão, assim como o peso atribuído aos resultados de cada estudo em uma metanálise (geralmente o inverso da variância da estimativa do efeito), (i.é., o grau em que um estudo influencia a estimativa geral de efeito em um a meta-análise é determinado pela precisão de sua estimativa de efeito individual). 2. A proporção de citações relevantes localizadas usando uma estratégia de busca específica, (i.é., o número de estudos relevantes que preenchem os critérios de inclusão para um registro de ensaios clínicos ou uma revisão) dividido pelo número total de citações encontradas.

Preço: Valor monetário por meio do qual um bem ou um serviço é comprado e vendido.

Prevalência: É constituído pelo total de casos novos acrescidos dos casos antigos da doença em questão, sendo que o denominador e a base de multiplicação são análogos aos usados no cálculo da incidência. Ver Incidência

Promoção da saúde: Uma das estratégias de produção de saúde que, articulada às demais estratégias e políticas do Sistema Único de Saúde, contribui para a construção de ações transversais que possibilitem atender às necessidades sociais em saúde. Notas: 1) A promoção da saúde é uma das prioridades do Pacto pela Vida para a construção de uma abordagem integral do processo saúde-doença e tem como foco o enfrentamento dos problemas de saúde baseado no reconhecimento dos determinantes sociais da saúde na sua produção. 2) A promoção da saúde deve dialogar com as diversas áreas do setor sanitário, com outros setores do governo e com a sociedade, para que sejam partícipes no cuidado com a vida, compondo redes de compromisso e corresponsabilidade. Ver transversalidade

Protocolos clínicos: Conjunto de diretrizes, de estratégias, de critérios e de pautas, provenientes de uma revisão sistemática da evidência científica disponível e de uma avaliação profissional, apresentado de maneira estruturada e elaborado com o objetivo de ajudar os profissionais de saúde e os pacientes em suas decisões. Nota: nos protocolos clínicos são estabelecidos claramente os critérios de diagnóstico de cada doença, o tratamento preconizado, com os medicamentos disponíveis nas respectivas doses corretas, os mecanismos de controle, o acompanhamento e a verificação de resultados e a racionalização da prescrição e do fornecimento dos medicamentos.

Q

Qualidade de vida relacionada à saúde: Condição em que é possível identificar, de forma subjetiva e global, a satisfação de um indivíduo em relação ao seu estado de saúde, com base em critérios fundamentais estipulados no âmbito da saúde.

Qualidade metodológica: A medida que o desenho e a condução de um estudo podem ter contribuído para prevenir erros sistemáticos (vieses). Variações na qualidade podem explicar variações nos resultados de estudos incluídos em uma revisão sistemática. Ensaios mais rigorosamente planejados (com melhor ‘qualidade’) tendem a fornecer resultados que são mais próximos da ‘verdade’. Ver também validade externa; validade

R

Randomização: Método semelhante a lançar uma moeda para alocar os pacientes para os grupos de tratamento. Processo de alocação, ao acaso, de unidades destinadas a compor os grupos de estudo e controle. Técnica utilizada em estudos experimentais. Ver Ensaio Clínico Randomizado

Rateio de Custos: Critério de alocação empregado para distribuir os custos indiretos entre os objetos de custo em um processo de apuração de custos. Nota: objeto de custo é aquele cujo custo unitário se deseja determinar.

Razão de chances (Odds ratio): Razão entre duas chances. Corresponde a chance de um resultado entre os indivíduos de um grupo submetido a uma dada exposição dividida pela chance do mesmo resultado entre aqueles que não tenham tido esta exposição. Ver Chance

Redução do risco absoluto: É a diferença entre o risco de um desfecho no grupo de controle e o risco no grupo de tratamento ou a diferença entre o risco de um desfecho no grupo não exposto e o risco no grupo exposto. Ver Risco; Risco relativo

Redução do risco relativo: É a relação (quociente) da redução do risco absoluto e a probabilidade de que o evento ocorra no grupo não exposto a este fator. Nota: Assim, se os resultados de um estudo mostram que a probabilidade de morte é de 25% no grupo de controle e de 10% no grupo exposto, a redução do risco relativo é (0,25-0,10) ÷ 0,25 = 0,6. Ver Redução do risco absoluto

Registro de medicamentos: Inscrição que é destinada a conceder o direito de fabricação e de comercialização de determinado produto. Nota: o registro de medicamentos é um ato privativo da Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

Registro Nacional de Preços: Registro que permite aquisições simplificadas, por menores preços, por meio de licitações feitas pelo Ministério da Saúde.

Review Manager (RevMan): Programa de computador desenvolvido para a Colaboração Cochrane para auxiliar revisores no preparo de Revisões Cochrane.

Revisão de Literatura: Um resumo, com ou sem interpretação, dos resultados da pesquisa relatados na literatura científica. Sinônimo: Revisão narrativa. Nota: Uma revisão da literatura pode incluir pesquisa qualitativa, bem como várias análises sistemáticas e quantitativas, tais como metanálises. Ver Revisão sistemática; Metanálise

Revisão: 1. Uma revisão sistemática. 2. Um artigo de revisão da literatura médica que resume diversos estudos diferentes e pode tirar conclusões sobre uma intervenção em particular. Artigos de revisão frequentemente são não sistemáticos. 3. Julgar ou avaliar um artigo.

Revisão sistemática: Uma revisão de uma pergunta claramente formulada que usa métodos sistemáticos e explícitos para identificar, selecionar e avaliar criticamente pesquisas relevantes; e coletar e analisar dados dos estudos incluídos na revisão. Métodos estatísticos (metanálise) podem ou não ser usados para analisar e sumarizar os resultados dos estudos incluídos. Ver metanálise

Risco: Medida da probabilidade de um efeito adverso ou indesejado e a gravidade do prejuízo resultante a saúde de indivíduos em uma população definida e associado com o uso de uma tecnologia aplicada em um dado problema de saúde em condições especificas de uso.

Risco relativo: A razão entre dois riscos. Corresponde ao risco de um resultado entre os indivíduos de um grupo submetido a uma dada exposição dividido pelo risco do mesmo resultado entre aqueles que não tenham tido esta exposição. Informa quantas vezes um risco e maior do que o outro.

S

Seguimento (Follow-up): A aferição de desfechos de uma intervenção em um ou mais momentos após o fim da intervenção.

Sensibilidade (Análise de): Uma análise utilizada para determinar qual a sensibilidade dos resultados de um estudo quando mudamos a forma como ele foi realizado. A análise de sensibilidade é utilizada para avaliar o grau de estabilidade dos resultados do estudo quando variamos as estimativas de probabilidades, ou valores de desfechos, por exemplo.

Série de casos: Conjunto de pacientes com um mesmo diagnóstico ou submetidos a uma mesma intervenção. Trata-se, em geral, de uma série consecutiva de pacientes, vistos em um hospital ou em outra instituição de saúde, durante um certo período. Não ha grupo controle interno, ou seja, composto simultaneamente. A comparação e feita com controles externos. Para alguns, a série de casos deve incluir um mínimo de dez casos.

Simulação de Monte Carlo: Tipo de simulação de modelagem que utiliza números randômicos para capturar os efeitos da incerteza; múltiplas simulações são executadas, com o valor de cada parâmetro incerto na análise selecionado randomicamente a partir da distribuição de probabilidades de cada simulação.

Sigilo da alocação: O processo usado para prevenir o conhecimento antecipado da alocação de grupos em um ensaio randomizado controlado. Distinto de mascaramento. O processo de alocação deve ser independente de qualquer influência do indivíduo que faz a alocação, o que é obtido designando-se como responsável pelo processo de randomização alguém que não participe do recrutamento de participantes; por exemplo, uma farmácia hospitalar ou um escritório central. Métodos de alocação adequados incluem: esquemas de randomização centralizados; esquemas de randomização controlados por uma farmácia; recipientes numerados ou codificados contendo cápsulas de aparência idêntica, os recipientes numerados são administrados sequencialmente; sistemas de computador no local, onde as alocações estão guardadas em arquivos protegidos; e envelopes opacos, selados e numerados sequencialmente.

Sistema de informação: Sistema sócio-técnico que compreende todas as ações de processamento de informações assim como os atores humanos ou técnicos nos seus respectivos papéis.

Standard Gamble: Técnica usada para avaliar a utilidade para os indivíduos de um resultado ou estado de saúde que difere em qualidade ou duração de vida; é aplicada pedindo-se que os indivíduos que escolham entre um dado estado de saúde ou arrisquem entre a saúde ideal e a morte imediata; a probabilidade de saúde ideal versus a morte imediata vai sistematicamente mudando até que a pessoa não mais tenha preferência entre o estado de saúde e o risco.

T

Tamanho do efeito: 1. Um termo genérico para a estimativa do efeito em um estudo. 2. Uma medida adimensional de efeito que é tipicamente usada para dados contínuos quando escalas diferentes são usadas para medir um desfecho. Geralmente definido como a diferença de médias entre os grupos de intervenção e controle, dividida pelo desvio padrão do controle ou de ambos os grupos. Ver diferença das médias padronizada

Tecnologia: Aplicação sistemática do conhecimento científico ou outro conhecimento organizado em atividades práticas.

Tecnologias em saúde: Conjunto de equipamentos, de medicamentos, de insumos e de procedimentos utilizados na prestação de serviços de saúde, bem como das técnicas de infraestrutura desses serviços e de sua organização. Nota: as tecnologias em saúde podem ser classificadas nos seguintes tipos: a) de proteção, de promoção da saúde e de prevenção da doença na comunidade; b) de assistência e de apoio à saúde individual.

Time-tradeoff: Técnica de avaliação das preferências na qual os indivíduos são solicitados a determinar a duração de tempo em condições ideais (ou de boa saúde) que eles considerariam equivalente a um período maior de tempo num dado estado/situação de saúde.

Transversalidade: Característica da Promoção da Saúde que lhe confere capacidade de produção e articulação de diferentes saberes e práticas, perpassando os diversos setores da saúde, como a atenção e a gestão, além de outros setores governamentais, não governamentais e a sociedade.

U

Uso Racional de Medicamentos: processo que compreende a prescrição apropriada; a disponibilidade oportuna e a preços acessíveis; a dispensação em condições adequadas e o consumo nas doses indicadas, nos intervalos definidos e no período de tempo indicado de medicamentos eficazes, seguros e de qualidade.

Utilidade: Conceito empregado para indicar a satisfação obtida pelo indivíduo em consequência do consumo de bens e serviços de saúde. Nota: esse conceito é utilizado para denominar uma quantificação da qualidade de vida das pessoas, que pode não estar baseada necessariamente nas preferências dos consumidores, podendo resultar de avaliações feitas por profissionais.

V

Validade: Capacidade de uma medida avaliar realmente aquilo que está pretendendo medir.

Validade Externa: Aplicabilidade ou generalização dos resultados, ou seja, o quanto os resultados de um estudo aplicam-se a outros indivíduos.

Validade Interna: Representa o quanto os resultados são verdadeiros para o grupo estudado. Ausência de erros sistemáticos (vícios) ou aleatórios em um estudo. Quando a validade interna existe, os resultados na população em estudo representam a verdade na população-alvo.

Valor de P (P-value): A probabilidade (variando de zero a um) de que os resultados observados em um estudo (ou resultados mais extremos) possam ter ocorrido por acaso. Em uma metanálise o valor de P para o efeito geral avalia a significância estatística geral da diferença entre os grupos de intervenção, enquanto que o valor de P para a heterogeneidade estatística avalia a significância estatística das diferenças entre os efeitos observados em cada estudo.

Variável dicotômica: Observações com duas categorias possíveis, tais como morto ou vivo, fumante ou não fumante, presente ou ausente. Sinônimo: dados binários.

Variável contínua: Dados que têm potencialmente um número infinito de valores possíveis, seguindo uma continuidade. Altura, peso e pressão arterial são exemplos de variáveis contínuas.

Viés: qualquer processo, em qualquer estágio da inferência, que tende a produzir resultados e conclusões que diferem sistematicamente da verdade. Seu efeito é o de distorcer a estimativa de uma variável, por exemplo, aumentando a média de uma variável ou diminuindo a prevalência de uma característica. Sinônimos: bias, vício ou tendenciosidade.

Viés de condução (Performance bias): Diferenças sistemáticas no cuidado oferecido, diferentes da intervenção que está sendo avaliada. Por exemplo, se os doentes sabem que estão no grupo controle, eles podem ter maior tendência a usar outras formas de tratamento; doentes que sabem que estão no grupo experimental (intervenção) podem ter efeito placebo, e os prestadores de cuidados podem tratar os doentes de maneira diferente de acordo com o grupo em que estão. O mascaramento dos participantes de estudos (tanto recipientes como prestadores de cuidados) é usado para prevenir o viés de condução.

Viés de mensuração (Detection bias): Diferenças sistemáticas entre os grupos de comparação na maneira como os desfechos são medidos, verificados ou diagnosticados. Sinônimo: viés de diagnóstico.

Viés de publicação (Publication bias): Um viés na literatura publicada, no qual a publicação da pesquisa depende da natureza e direção dos resultados do estudo. Estudos em que a intervenção não se demonstra efetiva algumas vezes não são publicados. Devido a isto, revisões sistemáticas que não conseguem incluir estudos não publicados podem superestimar o verdadeiro efeito de uma intervenção. Tendência dos investigadores, revisores e editores de revistas em propor ou aceitar a publicação de manuscritos em função da direção ou da intensidade do resultado dos estudos.

Viés de seguimento (Attrition bias): Diferenças sistemáticas entre os grupos de comparação em perdas ou exclusões nos resultados de um estudo. Por exemplo, doentes podem desistir de um estudo por causa dos eventos adversos de uma intervenção. A exclusão desses pacientes da análise pode resultar em uma superestimativa da efetividade da intervenção.

Viés de seleção (Selection bias): 1. Na determinação da validade de estudos de intervenções de cuidados de saúde, o viés de seleção diz respeito a diferenças sistemáticas entre grupos de comparação em prognóstico ou resposta ao tratamento. Alocação randômica, com sigilo de alocação adequado pode proteger contra viés de seleção. Outra maneira de selecionar quem receberá a intervenção de interesse, particularmente deixar a escolha a critério dos provedores e recebedores dos cuidados, são mais propensas ao viés, pois decisões a respeito de cuidados de saúde podem ser relacionadas a prognóstico e resposta ao tratamento. 2. O termo viés de seleção é usado algumas vezes para descrever um erro sistemático em revisões, nos critérios para selecionar estudos para inclusão. O viés de publicação é um exemplo desse tipo de viés de seleção. 3. Viés de seleção, por confundimento, é também usado algumas vezes para descrever uma diferença sistemática nas características entre aqueles (indivíduos ou estudos) que foram selecionados para estudo e os que não o foram. Isto afeta a generalização (validade externa) de um estudo, mas não sua validade interna. Erro na escolha da população ou dos grupos para estudo, devido a diferenças sistemáticas entre as características daqueles indivíduos incluídos no estudo e daqueles que não o são; distorção sistemática introduzida pela maneira como os participantes são selecionados para os estudos, por perdas ou por não-resposta dos incluídos na amostra original; diferenças nas características dos grupos que são, entre si, comparados.

Vigilância em Saúde: refere-se à proteção e a promoção da saúde da população por meio da segurança sanitária de produtos, comercialização e serviços ofertados. Abrange: ambientes, processos de produção de insumos e tecnologias a ela relacionadas, vigilância de alimentos, cosméticos, derivados de tabaco, farmacovigilância, monitoramento de mercado, portos, aeroportos, zonas de fronteiras, produtos para saúde, saneantes, sangue e derivados, serviços de saúde, tecnovigilância, toxicologia, campanhas sanitárias.

Vigilância epidemiológica: Conjunto de atividades que permite reunir a informação indispensável para conhecer, a qualquer momento, o comportamento ou historia natural das doenças, bem como detectar ou prever alterações de seus fatores condicionantes, com o fim de recomendar oportunamente, sobre bases firmes, as medidas indicadas e eficientes que levem a prevenção e ao controle de determinadas doenças.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Ministério da Saúde. Glossário do Ministério da Saúde: projeto de terminologia em saúde / Ministério da Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2004. 142 p. ISBN 85-334-0762-9. Disponível em http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/glossario_ms.pdf

_______. Ministério da Saúde. Secretaria-Executiva. Área de Economia da Saúde e Desenvolvimento. Avaliação de tecnologias em saúde: ferramentas para a gestão do SUS / Ministério da Saúde, Secretaria-Executiva, Área de Economia da Saúde e Desenvolvimento. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2009. 110 p. : il. (Serie A. Normas e Manuais Técnicos) ISBN 978-85-334-1588-1. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/avaliacao_tecnologias_saude_ferramentas_gestao.pdf

_______. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos. Departamento de Ciência e Tecnologia. Política Nacional de Gestão de Tecnologias em Saúde / Ministério da Saúde, Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos, Departamento de Ciência e Tecnologia. – Brasília: Ministério da Saúde, 2010. 48 p. (Série B. Textos Básicos em Saúde). ISBN 978-85-334-1713-7. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politica_nacional_gestao_tecnologias_saude.pdf

_______. Ministério da Saúde. Secretaria-Executiva. Secretaria de Vigilância em Saúde. Glossário temático: promoção da saúde / Ministério da Saúde. Secretaria-Executiva. Secretaria de Vigilância em Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2012. 48 p. (Série A. Normas e Manuais Técnicos) ISBN 978-85-334-1860-8. Disponível em http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/glossario_promocao_saude_1ed.pdf

_______. Ministério da Saúde. Secretaria-Executiva. Secretaria de Atenção à Saúde. Glossário temático: economia da saúde / Ministério da Saúde, Secretaria-Executiva, Departamento de Economia da Saúde, Investimentos e Desenvolvimento. – 3. ed.– Brasília: Ministério da Saúde, 2012. 92 p. (Série A. Normas e Manuais Técnicos). ISBN 978-85-334-1917-9. Disponível em: http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/glossario_economia_da_saude.pdf

BRATS (Boletim Brasileiro de Avaliação de Tecnologias de Saúde). Glossário. Ano 1 nº 1. Junho de 2006. Disponível em: http://www.ans.gov.br/portal/upload/biblioteca/trabalhos_tecnicos/BRATS/brats_1/Gloss%C3%A1rio.pdf COCHRANE. The Cochrane Collaboration Glossary. Version 4.2.5, May 2005. Disponível em: http://www.cochrane.org/sites/default/files/uploads/glossary.pdf

HTA. HTA Glossary. Disponível em: http://htaglossary.net/

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