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Eficácia e segurança de temozolomida no tratamento de astrocitoma de baixo grau

PTC 05/2012
Autores: Nélio Gomes Ribeiro Júnior, Rosângela Maria Gomes, Augusto Afonso Guerra Júnior, Francisco de Assis Acurcio

RESUMO EXECUTIVO

Intensidade das recomendações: Fraca a favor da tecnologia.

Tecnologia: Temozolomida.

Indicação: Temozolomida está indicado no tratamento de pacientes com glioma maligno recidivante, como glioblastoma multiforme ou astrocitoma anaplásico (astrocitomas de alto grau de malignidade), que já tenham recebido quimioterapia ou naqueles em que a quimioterapia convencional não foi eficaz.

Caracterização da tecnologia: A temozolomida é um antineoplásico da classe dos agentes alquilantes. Estes agentes adicionam um grupo alquila ao DNA celular, interferindo no crescimento do tumor.

Pergunta: O uso da temozolomida é eficaz e seguro como tratamento isolado ou adjuvante do Astrocitoma de Baixo Grau?

Busca e análise de evidências científicas: Foram pesquisadas as bases The Cochrane Library (via Bireme), Centre for Reviews and Dissemination (CRD), Medline via Pubmed, LILACS e Clinical Trials, objetivando-se encontrar revisões sistemáticas (RS) de ensaios clínicos que comparassem temozolomida com outras opções terapêuticas para o tratamento de astrocitoma de baixo grau. Avaliações de Tecnologias de Saúde (ATS) foram pesquisadas em sites de agências nacionais e internacionais. Foram selecionados estudos publicados em todos os idiomas.

Resumo dos resultados dos estudos selecionados: Após leitura completa, foram selecionadas duas RS e quatro ensaios clínicos em andamento. Os estudos selecionados constituíram um conjunto de evidências classificadas como de baixa qualidade. A primeira RS avaliou a eficácia de três diferentes esquemas de administração da temozolomida para tratar Gliomas de Baixo Grau (GBG) e incluiu 18 estudos de fase II. Os autores concluíram que faltam evidências provenientes de ensaios clínicos randomizados para se estabelecer qualquer recomendação referente ao uso da temozolomida no tratamento do GBG, bem como para estabelecer comparações entre os diferentes esquemas de tratamento. A segunda revisão sistemática fez uma análise qualitativa de estudos fase II para criar um guia de conduta e prescrição do uso da temozolomida para tratamento dos tumores cerebrais. Na RS, os Gliomas de Grau II foram enfocados em cinco estudos, que avaliaram a eficácia e/ou tolerância de temozolomida. A pergunta foi bem estruturada, embora ampla – buscou evidências da utilização de temozolomida em contextos diferentes: duração do tratamento, tumores raros, combinações de drogas e indicações, doses e casos off- label1. Apenas dois estudos apresentaram nível de evidência B2. Os estudos examinados apresentaram resultados poucos consistentes que corroboravam o uso de temozolomida em GBG após falha terapêutica com radioterapia e como tratamento de primeira linha para gliomas mais expandidos. Os quatro ensaios clínicos incluídos estão em andamento e objetivam avaliar o uso de temozolamida isolada ou como adjuvante comparada à radioterapia – tratamento padrão atual.

Recomendações: Até a presente data não existem evidências disponíveis que suportem o uso da temozolomida em Gliomas de Baixo Grau (Grau I e II) entre os quais estão incluídos os Astrocitomas (Grau I e II). Os resultados dos ensaios clínicos em andamento serão essenciais para definição da melhor estratégia de tratamento para esta condição de saúde.

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